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Eu comparo o meu alcoolismo, as desilusões, as ressacas, os sofrimentos; como um náufrago no meio do oceano a mercê das ondas revoltas e das ressacas. Aalcoólicos Anônimos comparo como uma tábua de salvação, como uma resposta de Deus à minha súplica no meio de tanto abandono, solidão e sofrimentos. Mas foi através do sofrimento que aprendi a buscar a Deus. Sabe, a gente, às vezes, só se lembra de Deus ou na hora do aperto, ou observando as criaturas de Deus. Foi assim comigo. Um dia uma formiga me levou a orar. Um dia desses, vi uma formiga que carregava uma enorme folha. A formiga era pequena e a folha devia ter, no mínimo, dez vezes o tamanho dela. A formiga a carregava com sacrifício. Ora a arrastava, ora a tinha sobre a cabeça. Quando o vento batia, a folha tombava, fazendo cair também a formiga. Foram muitos os tropeços, mas nem por isso a formiga desanimou de sua tarefa. Eu a observei e acompanhei, até que chegou próximo de um buraco, que devia ser a porta de sua casa. Foi quando pensei: “Até que enfim ela terminou seu empreendimento”. Ilusão minha, na verdade, havia apenas terminado uma etapa. A folha era muito maior do que a boca do buraco, o que fez com que a formiga a deixasse do lado de fora, para então entrar sozinha. Foi aí que disse a mim mesmo: “Coitada, tanto sacrifício para nada.” Lembrei-me ainda do ditado popular: “Nadou, nadou e morreu na praia.” Mas a pequena formiga me surpreendeu, do buraco saíram outras formigas, (companheiros de A.A.) que começaram a cortar a folha (a compulsão) em pequenos pedaços. Elas pareciam alegres na tarefa. Em pouco tempo, a grande folha havia desaparecido, dando lugar a pequenos pedaços e eles estavam todos dentro do buraco. Imediatamente me peguei pensando em minhas experiências no alcoolismo, quantas vezes tentei parar de beber e desanimei diante do tamanho da compulsão, da vontade de beber; esquecendo minhas tarefas ou dificuldades. Talvez, se a formiga tivesse olhado para o tamanho da folha, nem mesmo teria começado a carregá-la. Invejei a persistência, a perseverança, a força daquela formiguinha. Naturalmente transformei minha reflexão em oração e pedi ao Senhor: Que me desse a tenacidade daquela formiguinha, para “carregar” as dificuldades, da minha porre-seca do dia-a-dia. Que me desse a perseverança da formiga, para não desanimar diante das quedas. Que eu pudesse ter a inteligência, a esperteza dela, para dividir com os companheiros, os pedaços do fardo que, às vezes, se apresentam grandes demais. Que eu tivesse a humildade para partilhar com os outros o êxito da chegada, mesmo que o trajeto tivesse sido solitário. Pedi ao Senhor a graça de, como aquela formiga, não desistir da caminhada, mesmo quando os ventos contrários, os "amigos de copo", me fazem virar de cabeça para baixo, mesmo quando, pelo tamanho da carga, da compulsão, não consigo ver com nitidez o caminho a percorrer para chegar à sobriedade. A alegria dos filhotes que, provavelmente, esperavam lá dentro pelo alimento, representam a alegria que fez aquela formiga esquecer e superar todas as adversidades da estrada. Após meu encontro com aquela formiga, saí mais fortalecido em minha caminhada. Agradeci ao Senhor por ter colocado aquela formiga em meu caminho, ou por me ter feito passar pelo caminho dela. Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente. Hoje, sóbrio, vejo a alegria dos meus filhotes, de me terem brincando com eles, sabe, isso não tem preço. A gente se vê por aí!

Associação Comunidade Vida Nova
Há 30 anos nasceu Comunidade Vida Nova com o objetivo de salvar vidas. Nestes longos anos, já passaram por esta casa que é chamada “O Santuário da Sobriedade” centenas de Padres diocesanos, religiosos, religiosas, irmãos consagrados e leigos indicados por
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